SOBRE: A FELICIDADE ESTÁ LÁ FORA

O que mais me chama a atenção nessa imagem foi o fato deu a tê-la desenhado em rascunho, no sketchbook, sem a mínima pretensão de criar esse clima todo em torno do momento apresentado. Mas, quando pensei em pintá-la, já comecei a dar forma, em pensamento, à sua atmosfera. 

Na composição, de cara temos uma luminária externa no centro exato da cena. O ambiente é noturno e só se percebe isso pela iluminação que nos mostra a noite estrelada ao fundo. À direita temos um close fechado nos detalhes de um pedaço de muro e uma janela (supostamente uma casinha de esquina), iluminada pela luz artificial.

Percebe-se que a luminária substitui a luz da lua e cria sombras projetadas na parede da casa em cima de cores quentes, propositadamente para aquecer um ambiente frio. Por fim, podemos perceber as duas metades da composição dessa imagem: à esquerda, noite, cores frias. À direita, noite iluminada por luz artificial, cores quentes. 

Agora vamos falar do momento: o verde da jardineira quebra toda a cena, apesar do verde escondidinho das árvores lá atrás da personagem central, junto a um tanto de transeuntes. Já a bicicleta reforça a ideia de que o violeiro fazendo seresta para a moça na janela chegou ali pedalando para manter um certo romantismo ao momento proposto. Se chegasse de carro talvez não fizesse tal cena, e se fosse de ônibus ou taxi perderia a emoção de uma jornada suada para agraciar sua amada. E como no clássico da princesa presa por grilhões, protegida de um dragão amaldiçoado, a moça atrás dos vidros da janela se detém alienada ao mundo aqui fora, num escuro sem vida. Não tão estrelado como o que vemos à esquerda.

Assim compus A Felicidade Está lá Fora. E olhando para as plantas (bem vivinhas, porém são aguadas diariamente) na jardineira, podemos dizer que a vida, também, está lá fora.

Então, o que está esperando!?


Estudos de Composição - Clima e Cores.

Durante um processo criativo rolam as melhores bagunças!

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Estudo de uma ceninha (daquelas que a gente agarra e repete várias vezes até achar a melhor composição) de O Sopro Sagrado, a Grande Epopéia - que só consigo produzir nas horinhas vagas entre um cafezinho e outro, no momento.


MITRIDATES

Há oito meses não bebo refrigerante algum. Portanto, acabaram-se os estoques de garrafas pet aqui em casa. Elas eram a alegria do Pancho, meu labrador. A sua "bolinha" de diversão diária.


Senti que com o fim das bolinhas ele vem agindo de forma estranha. Adquiriu alguns cacoetes. Agora conversa sozinho e mexe os músculos do focinho como se estivesse sorrindo. Quando vejo essa cena confesso que me dá uma leve sensação de pânico, como aquelas de quando vemos fotos onde aparecem fantasmas ao fundo. Não é nada divertido viver sozinho numa casa junto com um cachorro e acordar de manhã, abrir a porta e vê-lo sorrindo pra você, sem saber por que está fazendo isso, como se estivesse possuído. Possuído por um cacoete.


Porém, com o fim das bolinhas de garrafas pet, conseqüentemente menos exercícios, mais ócio e a obesidade. O Pancho já é quase um Sancho. Até algumas pessoas já confundem o seu nome ao vê-lo se levantar para "dar a patinha".


Há alguns dias quebrei minha regra de saúde e comprei uma garrafona de refrigerante. Pancho não acreditava no que via. O sorriso saiu de sua fuça e tornou-se uma expressão do tipo: uaaauuuuu!!! uiah!!! legaaalll!!! Bolinha! Bolinha! Bolinha! Bolinha! Bolinha! e um entusiasmo frenético de tentar saltar, pular e correr por três metros com a garrafa na boca, se divertindo, sem se cansar. Parecia um esforço sobre-humano... Digo: sobre-canino.


Por fim, um cachorro gordo que pulou por cinco minutos sem parar, de tanta felicidade. Esgotado, morto de cansaço, escorado num cantinho do quintal abraçado com seu brinquedinho de causar emoções como se tivesse atravessado a nado o Canal da Mancha e um coraçãozinho mole batucando a mil por hora de amores e taquicardias.


No outro canto da casa, eu me contorcendo feito uma minhoca rastejante, por horas, agonizando por causa de uma azia monstruosa. Acho que não volto a beber refrigerante mais, não vale à pena!



Valeu a primeira dose do teste de mitridatismo.

Folha Seca

Estudo de aquarela sobre Fabriano 300g
Tenho uns vazinhos de gerânios, dentre outras plantas ornamentais. Vira e mexe é sempe um bom motivo pra estudar.

Na imagem, a folha seca e a aquarela referente. Percebemos que, por mais que imitemos sua forma e suas cores, não dá pra fazer exatamente igual (e isso é pra poucos, claro!). Mesmo assim, não é minha intenção e, sim, ter uma referência para estudar suas formas, cores, luzes e sombras.

Outros estudos como esses virão. Usei três cores: carmim, amarelo ouro, verde veronese. O marronzinho saiu com a mistura dessas três cores.

A Felicidade Está lá Fora


Le passage du paysan des terres PlimPlamPlum