SOBRE: A FELICIDADE ESTÁ LÁ FORA

O que mais me chama a atenção nessa imagem foi o fato deu a tê-la desenhado em rascunho, no sketchbook, sem a mínima pretensão de criar esse clima todo em torno do momento apresentado. Mas, quando pensei em pintá-la, já comecei a dar forma, em pensamento, à sua atmosfera. 

Na composição, de cara temos uma luminária externa no centro exato da cena. O ambiente é noturno e só se percebe isso pela iluminação que nos mostra a noite estrelada ao fundo. À direita temos um close fechado nos detalhes de um pedaço de muro e uma janela (supostamente uma casinha de esquina), iluminada pela luz artificial.

Percebe-se que a luminária substitui a luz da lua e cria sombras projetadas na parede da casa em cima de cores quentes, propositadamente para aquecer um ambiente frio. Por fim, podemos perceber as duas metades da composição dessa imagem: à esquerda, noite, cores frias. À direita, noite iluminada por luz artificial, cores quentes. 

Agora vamos falar do momento: o verde da jardineira quebra toda a cena, apesar do verde escondidinho das árvores lá atrás da personagem central, junto a um tanto de transeuntes. Já a bicicleta reforça a ideia de que o violeiro fazendo seresta para a moça na janela chegou ali pedalando para manter um certo romantismo ao momento proposto. Se chegasse de carro talvez não fizesse tal cena, e se fosse de ônibus ou taxi perderia a emoção de uma jornada suada para agraciar sua amada. E como no clássico da princesa presa por grilhões, protegida de um dragão amaldiçoado, a moça atrás dos vidros da janela se detém alienada ao mundo aqui fora, num escuro sem vida. Não tão estrelado como o que vemos à esquerda.

Assim compus A Felicidade Está lá Fora. E olhando para as plantas (bem vivinhas, porém são aguadas diariamente) na jardineira, podemos dizer que a vida, também, está lá fora.

Então, o que está esperando!?