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a escolha da técnica depende do material ou o material depende da técnica?




Eu já havia decidido não usar colorização digital em O Sopro Sagrado, A Grande Epopéia,  mas para definir como pintar as cores dessa obra, precisei fazer alguns pequenos mas fundamentais testes, usando materiais e técnicas de aplicações diferentes em cada um deles. Pouco distintos para muitos, mas para quem já tem certa experiência faz uma diferença que vai do 8 ao 80.

Acima, uma das imagens rascunhadas no sketchbook, como estudo de cena (ângulo, iluminação e movimentos das personagens). Posteriormente a mesma foi para a mesa de luz para ser redesenhada no papel adequado. Abaixo, na primeira cena, temos um papel Fabriano 300g e os traços a nankin, com bico-de-pena e caneta. Já na segunda cena, traços à lápis fine art Cretacolor 2B e HB em papel Montval 300g.




Posteriormente, iria fazer o mesmo teste de cores usando a mesma técnica, apenas invertendo os papéis (literalmente). Mas não precisei chegar a essa segunda opção, ainda bem!

Essa parte do processo criativo com a escolha do material usado, para este trabalho, tem uma importância muito grande, já que essa história em quadrinhos ultrapassará uma centena de páginas, e ao começar a pintar a primeira página a mesma técnica com o mesmo visual estético deve-se manter com a mesma identidade, do começo ao fim, mesmo que para a conclusão de todo o trabalho tudo isso dure mais de um ano e minha arte evolua tecnicamente durante esse período.





 ***


Essa pintura, como teste de colorização para as páginas de O Sopro Sagrado, no papel Montval, numa boa... Ele favorece apenas no custo, mas é o barato que sai caro. Parei por aqui, como podem ver na imagem com a pintura inacabada. O Montval, definitivamente, não é nem um pouco adequado para o que pretendo e com a qualidade que proponho. Automaticamente ele pede retoques o tempo todo, coisa que o Fabriano não faz. Este aceita a tinta exatamente como eu quero que ele aceite e cria, por conta própria, as melhores manchas sem prejudicar em nada o visual do trabalho, e mesmo se eu não as quiser, ele me deixa muito tranquilo para direcionar a tinta e a água sem dificuldade alguma. Já o Montval nos obriga a retocar vários detalhes ou áreas inteiras, várias vezes,e com isso só estragamos as pinceladas já dadas e com resultados não obtidos.

Por fim, está decidido: O Sopro Sagrado, a Grande Epopéia será totalmente desenhado à lápis, com traços em primeiro plano delineados à nankin usando-se de pincéis e bicos-de-pena. Em segundo plano à caneta nankin e muitos traços de pequenos detalhes e planos de fundo deixados à lápis, mesmo. As cores, claro, aquarelas (usarei as inglesas Winsor & Newton Artist - pastilhas - e as japonesas Holbein - bisnagas), pincéis 00, 01, 04 e 20 da Winsor & Newton, Série 7, e Tigre 309 número 10, todos de pêlos de Marta Kolinsky.Talvez, se necessário,os pincéis da Tigre 308 número 2/0 e 05, pêlos de Marta. Já os papéis, Superwhite 75g (resma de gráfica) para os rascunhos e composições de cada página, em grafites marcadores vermelhos e azuis e para finalizar o Fabriano Hold 300g a que melhor me adaptei.


Durante todo esse processo, eu já sabia que tais materiais eram os melhores e fazem-se necessários, mas quanto ao papel, mesmo sabendo de sua qualidade superior e sua preferência por quase todos os profissionais precisei tirar a prova para me garantir, do começo ao fim deste trabalho, e por fim não decepcioná-los.

Claro que cada caso é um caso e deve ter aquarelista que se dão bem com Montval. Apesar deu mesmo já tê-lo usado, desconheço quem goste. Agora vou cortar, dobrar, picotar, furar e costurar, criar uma capinha legal e transformar os dois blocos A3 de Montval (12 folhas cada) que ficaram de bobagem por um bom tempo em meus arquivos de papéis, em um sketchbook, para estudar. Não será de tudo uma perda e desta forma de muito me servirão.

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