Pular para o conteúdo principal

cilada nos rascunhos

Este é apenas um quadro de uma das páginas já desenhadas de O Sopro Sagrado. Depois de quase dez anos sem fazer histórias em quadrinhos, muita coisa mudou em meu processo técnico e criativo, minha forma de ver a produção e o desenvolvimento do trabalho. As últimas coisas que fiz de histórias em quadrinhos na vida (lembrando que, quando digo histórias em quadrinhos, não me refiro às tiras) eram de uma outra parte do meu trabalho. Então, vamos fazer assim: vamos celebrar as HQ's de Laz Muniz antes e depois de O Sopro Sagrado, ok?

Na parte técnica, depois de desenhar as duas primeiras páginas à lápis, em papel layout, descobri algo super factual e que muito me aborreceu. Como farei toda a arte da HQ no lápis e com as cores em aquarela, por mais que eu seja experiente na mesma (não por qualidade, talvez, mas por tempo de trabalho dedicado à técnica) eu percebi que fazer os rascunhos com grafite preta só me atrapalhariam, já que não posso ficar rascunhando e desmanchando dez vezes diretamente no papel para aquarela, para não danificá-lo. Assim sendo, faz-se necessário que, primeiro, eu faça os desenhos à parte no papel layout e, depois, redesenhe todos os traços já definidos no papel para aquarela (usarei o Fabriano acetinado) e para esse processo transponho a mesma arte através de uma mesa de luz. Cheguei onde eu queria: na mesa de luz, usarei vários lápis fine art de diversas gramaturas, com grafite preto. Mas os rascunhos também estão em preto. Na hora da transposição, eu me perdi várias vezes pois não conseguia distinguir aonde já havia passado o lápis, pois era como passar lápis sobre lápis. Entendeste agora o segredo do joguinho dos sete erros?

Feliz que tenham inventado as grafites coloridas!

Postagens mais visitadas deste blog

composição, cores quentes e frias, iluminação e clima.

Por mais simples que seja, sua arte pode ficar ainda mais rica quando se tem todo um propósito estético em cada aresta.
O que mais me chama a atenção nessa imagem foi o fato deu a tê-la desenhado em rascunho, no sketchbook, sem a mínima pretensão de criar esse clima todo em torno do momento apresentado. Mas, quando pensei em pintá-la, já comecei a dar forma, em pensamento, à sua atmosfera.
Na composição, de cara, temos uma luminária externa no centro exato da cena. O ambiente é noturno e só se percebe isso pela iluminação que nos mostra a noite estrelada ao fundo. À direita temos um close fechado nos detalhes de um pedaço de muro e uma janela (supostamente uma casinha de esquina), iluminada pela luz artificial. Percebe-se que a luminária substitui a luz da lua e cria sombras projetadas na parede da casa em cima de cores quentes, propositadamente, para aquecer um ambiente frio, mostrado pelas mangas compridas da blusa da personagem. Por fim, podemos perceber as duas metades da composição …

a importância da qualidade das ferramentas de trabalho

Aaah, o sonho de consumo, essa ganância que nos invalida a moral, aqueles dois saquinhos que ficam bem ali embaixo...

Estou falando dos bolsos!

E artista, sabe como é, né? Não compra calça jeans, sapato bacana, óculos de sol de 3 mil reais, relógios, carrão... não vai pro pagodão, não viaja pra lugares tropicais, ensolarados... Não!

Tá, não pensem em artista que vai pra Trancoso, Arraial D’ajuda, Tomé das Letras... Tô falando daquele que compra livro e depois que compra muitos livros, compra mais, aí quando cansa de comprar livro, compra tintas e mais tintas e volta a comprar livros. Por fim compra uma bicicleta porque fica o dia todo sentado (e bicicleta dá pra se exercitar sentado) porque ele acredita no ócio criativo, mas precisa mexer mais a caveira e se mirar no horizonte.

Então, em vez de um paraíso tropical, lá vai ele: Louvre, em pleno inverno. Pimba! Moscou... Holanda... e dá-lhe livros!

Então compra mais tinta... papéis de 500 reais o metro quadrado, telas, pigmentos, canet…