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Mostrando postagens de 2014

composição, cores quentes e frias, iluminação e clima.

Por mais simples que seja, sua arte pode ficar ainda mais rica quando se tem todo um propósito estético em cada aresta.
O que mais me chama a atenção nessa imagem foi o fato deu a tê-la desenhado em rascunho, no sketchbook, sem a mínima pretensão de criar esse clima todo em torno do momento apresentado. Mas, quando pensei em pintá-la, já comecei a dar forma, em pensamento, à sua atmosfera.
Na composição, de cara, temos uma luminária externa no centro exato da cena. O ambiente é noturno e só se percebe isso pela iluminação que nos mostra a noite estrelada ao fundo. À direita temos um close fechado nos detalhes de um pedaço de muro e uma janela (supostamente uma casinha de esquina), iluminada pela luz artificial. Percebe-se que a luminária substitui a luz da lua e cria sombras projetadas na parede da casa em cima de cores quentes, propositadamente, para aquecer um ambiente frio, mostrado pelas mangas compridas da blusa da personagem. Por fim, podemos perceber as duas metades da composição …

composição: clima e cores.

Durante um processo criativo rolam as melhores bagunças!
Eis o estudo de uma ceninha (daquelas que a gente agarra e repete várias vezes até achar a melhor composição) de O Sopro Sagrado, a Grande Epopéia - que só consigo produzir nas horinhas vagas entre um cafezinho e outro, no momento.


folha seca

Tenho uns vasinhos de gerânios, dentre outras plantas ornamentais. E vira e mexe as folhagens sempre são um bom motivo para estudar.

Na imagem, a folha seca em cima do papel e a pintura referente.

Percebemos que por mais que imitemos sua forma e suas cores, não dá pra fazer exatamente igual (e isso é para poucos, claro!). Mesmo assim, não foi a minha intenção e, sim, obter uma qualidade de estudo em cima de uma boa referência de formas, volumes, cores, luzes e sombras.

Usei três cores: carmim, amarelo ouro, verde veronese. O marronzinho saiu com a mistura dessas três cores.

"sketchando" para o Sopro Sagrado

Então antes que fique tarde demais vou lhes apresentar os primeiros rascunhos feitos há algumas datas para os quadrinhos de O Sopro Sagrado - A Grande Epopéia, quando da criação das características das personagens (o roteiro já estava quase pronto). Perecebe-se no decorrer que ninguém é mais como era antes mas no fundo ainda existe uma característica peculiar. Houveram estudos para mudanças do traço, do tratamento de cores, de técnicas, etc. Já tá tudo definidinho e as páginas já começaram a ser rabiscadas. Nada é mais como nos sketchs, onde não há muita ou quase nenhuma preocupação com certas regras de anatomia, luz e sombra, pois experimenta-se por todos os lados... Se bem que eu gosto muito de brincar com isso de maneira que a regra não interfira e que as "licenças poéticas" dos traços não prejudiquem o trabalho, mas os enriqueçam. Claro que quem vem acompanhando já viu essas artes antes, publicadas aqui e ali, principalmente na minha página do Facebook. Mas o fato é que…

a escolha da técnica depende do material ou o material depende da técnica?

Eu já havia decidido não usar colorização digital em O Sopro Sagrado, A Grande Epopéia,  mas para definir como pintar as cores dessa obra, precisei fazer alguns pequenos mas fundamentais testes, usando materiais e técnicas de aplicações diferentes em cada um deles. Pouco distintos para muitos, mas para quem já tem certa experiência faz uma diferença que vai do 8 ao 80.
Acima, uma das imagens rascunhadas no sketchbook, como estudo de cena (ângulo, iluminação e movimentos das personagens). Posteriormente a mesma foi para a mesa de luz para ser redesenhada no papel adequado. Abaixo, na primeira cena, temos um papel Fabriano 300g e os traços a nankin, com bico-de-pena e caneta. Já na segunda cena, traços à lápis fine art Cretacolor 2B e HB em papel Montval 300g.



Posteriormente, iria fazer o mesmo teste de cores usando a mesma técnica, apenas invertendo os papéis (literalmente). Mas não precisei chegar a essa segunda opção, ainda bem!
Essa parte do processo criativo com a escolha do mater…

retalhos, rebabas e bom proveito!

A única parte boa da sobra de um bom papel para aquarela (muito caros, diga-se de passagem) é que muitas vezes essas rebabas tornam-se pequenos sketchbooks. 
Nessa imagem ao lado vemos um encadernado  desses recortes que sobraram de uma pequena resma de Fabriano 300gr. Desta forma fica muito bom aproveitarmos para estudar e, com isso, até perdemos o medo de molhar à tinta o papel em seu avesso, onde a textura é bem diferente.

cilada nos rascunhos

Este é apenas um quadro de uma das páginas já desenhadas de O Sopro Sagrado. Depois de quase dez anos sem fazer histórias em quadrinhos, muita coisa mudou em meu processo técnico e criativo, minha forma de ver a produção e o desenvolvimento do trabalho. As últimas coisas que fiz de histórias em quadrinhos na vida (lembrando que, quando digo histórias em quadrinhos, não me refiro às tiras) eram de uma outra parte do meu trabalho. Então, vamos fazer assim: vamos celebrar as HQ's de Laz Muniz antes e depois de O Sopro Sagrado, ok?

Na parte técnica, depois de desenhar as duas primeiras páginas à lápis, em papel layout, descobri algo super factual e que muito me aborreceu. Como farei toda a arte da HQ no lápis e com as cores em aquarela, por mais que eu seja experiente na mesma (não por qualidade, talvez, mas por tempo de trabalho dedicado à técnica) eu percebi que fazer os rascunhos com grafite preta só me atrapalhariam, já que não posso ficar rascunhando e desmanchando dez vezes diret…

a importância da qualidade das ferramentas de trabalho

Aaah, o sonho de consumo, essa ganância que nos invalida a moral, aqueles dois saquinhos que ficam bem ali embaixo...

Estou falando dos bolsos!

E artista, sabe como é, né? Não compra calça jeans, sapato bacana, óculos de sol de 3 mil reais, relógios, carrão... não vai pro pagodão, não viaja pra lugares tropicais, ensolarados... Não!

Tá, não pensem em artista que vai pra Trancoso, Arraial D’ajuda, Tomé das Letras... Tô falando daquele que compra livro e depois que compra muitos livros, compra mais, aí quando cansa de comprar livro, compra tintas e mais tintas e volta a comprar livros. Por fim compra uma bicicleta porque fica o dia todo sentado (e bicicleta dá pra se exercitar sentado) porque ele acredita no ócio criativo, mas precisa mexer mais a caveira e se mirar no horizonte.

Então, em vez de um paraíso tropical, lá vai ele: Louvre, em pleno inverno. Pimba! Moscou... Holanda... e dá-lhe livros!

Então compra mais tinta... papéis de 500 reais o metro quadrado, telas, pigmentos, canet…

fanart como aquecimento com calvin e haroldo

Muitas vezes tiro uma horinha antes de começar a trabalhar, de acordo com a técnica que irei abordar para tal, fazendo uma espécie de aquecimento intelectual/artístico, se é que me entendem... Como uma espécie de alongamento antes dos exercícios físicos.  Assim sendo, faço desenhos ou pinturas descompromissadas com qualquer coisa que venha a ser profissionalmente comercial e aproveito desse momento para satisfazer o meu eu, sem aquela coisa de ter que desenhar só para clientes já que nós, artistas gráficos, quase nunca temos tempo de criar para nós mesmos. Desta forma, aquarelei esse Calvin e Haroldo, do Bill Watterson que, para mim, é uma das maiores influências de todos os tempos em minha formação como autor de quadrinhos. Seja no humor,  no universo inocente e irônico, fantasioso, nas discussões amorosas e nos contestamentos infantis ou nas técnicas de trabalho de Watterson, nos movimentos dos seus desenhos, nas pinceladas de nankin, nas aquarelas de algumas capas... Seja como for…